A Fé Em Nós!

A Fé Em Nós!
  • 25/07/2014

  Com licença, eu posso entrar? Eu sei que a casa também é minha, mas ela já tem tanto de nós que nem me sinto mais à vontade pra chegar assim sem avisar, sem marcar hora, sem ao menos um prefácio. Não é fácil. Eu só vim buscar umas coisas, não pretendo me demorar. É só o tempo de tomar um café, de separar as xícaras, os discos, os livros. A secretária eletrônica transmite recados em vozes familiares. Substantivos, verbos, sujeitos e predicados. Orações mal formuladas. Sinto falta do nosso silêncio a dois. Sinto falta dos adjetivos nas mensagens que ouço….

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A Programação do Dia

A Programação do Dia
  • 24/07/2014

Corre, o metrô se aproxima! Rápido! Entra! Cuidado, as portas! Ufa! Yes!!!! Em tempo! Procura um assento. Senta. Levanta. Desce. Corre. O sinal fechou. Atravessa. Antes que abra novamente. Depressa, você só tem trinta segundos. Olha a poça d’agua. Ufaaa!! Por pouco. Agora entra. Bate o ponto. Olha o relógio. Ei, você. É você mesmo! Olha a postura. Cadê a criatividade? E o bom-humor? Tenho aqui em números a sua produtividade. Onde andam seus sorrisos-de-ocasião? Sorrisos são feitos para serem ostentados. Sorrisos são produtos consumíveis expostos em vitrines vivas. Quem dá mais?? Corre, a última liquidação te espera. Na esquina…

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Mulher aos Pedaços!

Mulher aos Pedaços!
  • 22/07/2014

Estou em obras! Tudo em mim desmorona… O ônibus já não para quando meus braços cansados acenam dando sinal. Os pés já não sentem a terra firme. O estomago chora os sonhos embalados em sacos de lixo. Para cada martelada, um olhar ao chão. Para cada céu, um inferno à altura. E cada espelho reflete o monstro que lhe convém. Cada um com o seu, cada um na sua. A rotina cotidiana parece me serrar ao meio como num show de mágica. E lá se vão cabeça, tronco e membros pelo ar, ao léu. Mulher aos pedaços. Meus medos me procuram…

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Season Of Love

Season Of Love
  • 01/05/2014

Saindo de casa em direção a um norte… Vestida nem sei como… Bordô no longo rendado… Bordado na costura do amor… Corro, corremos! Em direção ao precipício, véspera de final feliz. Corpo de mãos dadas com a prece. Dança que precede a explosão da existência. Ser, eu sou! Sagrado feminino que me alma. O verbo almar existe? Tudo o que eu quero, pode existir…está tudo aí! Basta atravessar as portas, transpor corredores e escolher bordô com botas de cetim! Não tem que ter medo, porra! Vida é consistência!   Texto: Maíra Viana. Fotografia: Luíza Prado.

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O Meu Mistério Me Pertence!

O Meu Mistério Me Pertence!
  • 30/04/2014

Você é capaz de guardar um segredo? Estou falando de algo que é só meu, que trago do berço, do antes… Do primeiro piscar de olhos. É inato, inóspito, inviolável. Não, eu não estou doente… nem louca! O meu segredo é sobre mim. O meu mistério me pertence. Quantas coisas sobre você, só você sabe? Para saber de mim, você vai ter que desperdiçar o seu tempo! Você teria disposição suficiente para sair de si e vir até aqui me conhecer com propriedade? Eu escolhi você, dentre todas as pessoas do mundo, para confidenciar o meu segredo: o meu terceiro…

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Desperfumados!

Desperfumados!
  • 29/04/2014

A cidade está repleta de bichos! Desses que nem eu… Que rastejam pelas calçadas…. Empurram velhas carroças… E se confundem com sacos de lixo. Somos milhares vagando por aí! Sem alma, identidade ou apreço. Seguimos sem chance de recomeço. Somos bichos papões sem endereço. Jamais nos tornaremos clientes, eleitores ou pacientes. Cinéfilos, internautas, crentes? Nossas demandas nunca se farão urgentes! Seremos sempre invisíveis, esquecidos, indigentes. Desperfumados, famintos, sem direito à pasta de dente. Constrangemos as pessoas de boa aparência… Aquelas para quem os jornais acenam com possibilidades de emprego. Amedrontamos as crianças na porta da escola… E estrelamos seus mais sombrios…

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Volta aí, Coração!

Volta aí, Coração!
  • 28/03/2014

Onde estará meu órgão de estimação? Dizem que ele bate dentro do peito, mas porque será que eu tenho sempre essa sensação de que vou encontrá-lo jogado pelo chão da casa, atrás de um móvel, debaixo do tapete do banheiro?  Reviro meias, calcinhas e cadernos postos no fundo de uma gaveta. Procuro, procuro… e nada de coração! Será que deixei cair enquanto dormia? Ou quando corri ontem para pegar o último trem? Não sei! Caramba, será que estou sem coração desde o fim de semana passado? Teria saltado do peito durante a passagem do bloco, enquanto eu dançava? Será que…

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O Varal

O Varal
  • 05/01/2014

Venta muito por aqui. Nada fica firme por muito tempo. As roupas não secam, somem…voam sei lá pra onde. Já não sei o que vestir quando me convidam. Por isso nunca aceito. Fico em casa com satisfação. Vou até o quintal e aproveito o tempo para estender fotos, passados, sonhos. Tudo no mesmo varal. Só pra tirar o mofo, tomar um ar. Mas sempre voam. Voam sei lá pra onde… E eu vou perdendo as peças da minha história. Uma por uma. Tudo que eu amo desaparece. Do quintal da minha casa nem dá pra ver o seu. Mas imagino que lá no fundo, num cantinho, também tenha um varal. O seu varal. Onde…

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Travesseiros Imaginários…

Travesseiros Imaginários…
  • 05/03/2005

Todo dia eu faço uma aposta. As pessoas nadam em suas próprias mentiras. Passam por cima do sol para angariar o que lhes é aprazível. E seguem insones. As cabeças cansadas já não cabem mais nos travesseiros de costume. As palpebras pesam à medida dos anos. As pessoas seguem pisando em seus chãos, em seus céus, em seus sóis e em si mesmas. E se martirizam a cada segredo guardado na estante sustentada em madeira e remorso. As pessoas passam a vida tentando ficar impunes enquanto eu almejo apenas ficar imune a todas elas. E quando já não há mais…

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Vento Vilão

Vento Vilão
  • 01/03/2003

Às vezes, o vento me empurra pra fora do mundo com tanta força que chega a bater as janelas de casa… Mas pareço ficar. Mesmo sabendo que minha existência não fará a menor diferença. À tudo respondo que tanto faz. Escolhas são nocivas. Escolhas sempre chegam acompanhadas de expectativas. E para cada expectativa, uma decepção à altura. As pessoas criam seus infernos particulares à medida dos anos. Alimentam seus bichos interiores, preenchem seus sacos de lixo…até não poder mais. E depois não conseguem se achar em seus próprios espelhos. Parecem figuras alteradas por uma lente de aumento, distorcidas na forma…

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